Hegemonia ou... ? Uma imagem e os seus possíveis significados

Coloquei um comentário nesta fotografia colocada pela Francine Barone, administradora da OAC, que gostava que lessem e comentassem.
Para além de representar o facto inquestionável da absoluta maioria de falantes de inglês na OAC, será que esta imagem é também reflexo de uma presença anglo-falante hegemónica nas cenas antropológicas, com significados mais vastos do que a simples maioria numérica?

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A intenção desta thread não é polarizar a discussão do grupo em torno do tema das relações hegemónicas centro(s)/periferia(s) na produção teórica nas ciências sociais e na antropologia, em particular, mas introduzir uma questão muito central no momento em que emerge uma plataforma como a OAC que se pretende aberta, global e plural.

Existem ou não relações de poder dentro da produção prática e teórica da disciplina? Será uma "utopia antropológica" a construção de uma "comunidad de antropólogos más heteroglósica, democrática y transnacional" (Antropologías del mundo: transformaciones disciplinarias dentro de ...) ?

As citações remetem para duas publicações da Red de Antropologías del Mundo - World Anthropologies Network onde vários antropólogos, de diferentes contextos e origens geográficas e linguísticas, produzem reflexão sobre estas questões.

Acrescento que não me passa pela cabeça questionar o estatuto do inglês enquanto língua-franca utilizada na comunicação numa rede como a OAC. Não é neste aspecto - instrumental - que o debate se centra...
Olá Cristina!
Sem reflectir de formar muito aprofundada - isto é reagindo de forma algo "intuitiva" à tua questão - eu diria que sim, que é uma utopia pensar - no momento presente - a tal “comunidade de antropólogos heteroglósica, democrática e transnacional”.
Há claramente um centro que são os EUA - penso que agora se pode concentrar a coisa especificamente nos EUA... o velho mundo já não tem muito a dizer (menos se fores francês e nesse caso continuas a resistir à subjugação neo-imperialista dos yankees dando-te ao luxo de leres maioritariamente autores franceses e confinando-te a uma ilha de produção científica auto-fágica - Ora bolas! já me espraiei na crítica baseada em experiências pessoais).
Enfim, continuando, dizia eu os EUA. O que é fácil de perceber se considerarmos a dimensão do país e a dimensão das universidades que o compõem. Se considerarmos sobretudo a “qualidade” destas universidades (agora refiro-me mais especificamente às do topo, ás mais conceituadas) e ao poder de atracção que elas exercem junto de deocentes/investigadores de todo o mundo (e não é só atracção pelo “ir para a América” é, muito concretamente, atracção pelas belas condições de trabalho oferecidas – leia-se salários francamente simpáticos); assim se gera um ciclo vicioso de atracção do mérito: têm o melhores professores, logo atraem alunos à escala mundial; entre os quais, por sua vez, fixam os melhores – isto é apoiam-nos não por subsídios do estado mas atavés ínumeras bolsas e fundações e mais não sei quê...
Se este estado de coisas vais durar muito tempo, parece-me díficil de prever. Talvez a India seja o próximo pólo de produção cientifica ( falo da India e não da China só porque falam inglês, pelo menos num período de de transição talvez dê jeito; para além disso há aquela coisa da democracia que diz que é boa para as ciências sociais...) - ou talvez não... Até lá parece-me que os Appadurais, os Bhabhas e os Guptas continuaram felizmente instalados nas universidades Ivy League dos States.
Oi,

bom..respondo com um atraso de meses....
Concordo com a Carolina, mas acho q temos q observar um processo interessante ja notado por alguns. Com a crise econômica mundial, está ocorrendo um fenômeno de "retorno dos imigrantes" para seus paises de orígem (sobretudo os emergentes), o que provoca, como decorrência, a "descentralização de cérebros", antes concentrados nos EUA e Europa. Esse fenômeno pode ser o início de uma nova configuração geográfica da produção do conhecimento...será???

[]s
R.

Carolina Valente Cardoso said:
Olá Cristina!
Sem reflectir de formar muito aprofundada - isto é reagindo de forma algo "intuitiva" à tua questão - eu diria que sim, que é uma utopia pensar - no momento presente - a tal “comunidade de antropólogos heteroglósica, democrática e transnacional”.
Há claramente um centro que são os EUA - penso que agora se pode concentrar a coisa especificamente nos EUA... o velho mundo já não tem muito a dizer (menos se fores francês e nesse caso continuas a resistir à subjugação neo-imperialista dos yankees dando-te ao luxo de leres maioritariamente autores franceses e confinando-te a uma ilha de produção científica auto-fágica - Ora bolas! já me espraiei na crítica baseada em experiências pessoais).
Enfim, continuando, dizia eu os EUA. O que é fácil de perceber se considerarmos a dimensão do país e a dimensão das universidades que o compõem. Se considerarmos sobretudo a “qualidade” destas universidades (agora refiro-me mais especificamente às do topo, ás mais conceituadas) e ao poder de atracção que elas exercem junto de deocentes/investigadores de todo o mundo (e não é só atracção pelo “ir para a América” é, muito concretamente, atracção pelas belas condições de trabalho oferecidas – leia-se salários francamente simpáticos); assim se gera um ciclo vicioso de atracção do mérito: têm o melhores professores, logo atraem alunos à escala mundial; entre os quais, por sua vez, fixam os melhores – isto é apoiam-nos não por subsídios do estado mas atavés ínumeras bolsas e fundações e mais não sei quê...
Se este estado de coisas vais durar muito tempo, parece-me díficil de prever. Talvez a India seja o próximo pólo de produção cientifica ( falo da India e não da China só porque falam inglês, pelo menos num período de de transição talvez dê jeito; para além disso há aquela coisa da democracia que diz que é boa para as ciências sociais...) - ou talvez não... Até lá parece-me que os Appadurais, os Bhabhas e os Guptas continuaram felizmente instalados nas universidades Ivy League dos States.

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