Apesar de ser um tema controverso, e com posições apaixonadas (e ideológicas) de defensores ou opositores, o sistema de cotas nas Universidades Brasileiras volta à tona. Talvez haja interesse nesse grupo de também debater essa questão.

Essa discussão foi bem acalorada há uns anos, quando se iniciou essa prática - e foi agora reavivada porque um juiz resolveu suspender o oferecimento de cotas de uma universidade. Uma renomada antropóloga brasileira, mais uma vez, se pronunciou contra o sistema de cotas, alegando que isso seria um retrocesso. Acusa ela a Fundação Ford de ter uma política de influenciar governos locais para o estabelecimento de cotas.

Segue abaixo um extrato do debate, conforme espelhada na lista do NEPE (Núcleo de Estudos de Etnicidade de Pernambuco):


Yvonne Maggie "Raça não pode ser critério de distribuição de justiça, é invenção dos racistas"

-----Mensagem original-----
De: Clara Schwartz

Daqui há pouco vai ter gente defendendo a oficialização da "raça indígena"...
É isso mesmo? Tudo é uma questão de "raças oprimidas" contra "interesses
capitalistas"? É essa toda a antropologia que os senhores praticam por aqui?
Bravíssimo à indigência intelectual!!!

On Jun 3, 2009, at 12:29, José Augusto Laranjeiras Sampaio wrote:


-----Mensagem original---- -
De: Florÿffffeancio Vaz

"Nós,
brasileiros, construímos uma cultura que se envergonha do racismo. [....] Eu
nunca disse que não há racismo aqui. Mas não somos uma sociedade
racista, pois não temos instituições baseadas em lei com critério
racial".

Gente,
Na moral, se essa mulher acredita mesmo nisso que ela diz, essa militância anti-
cotas a deixou cega e sem aquela capacidade básica a qualquer antropólogo em
qualquer lugar do mundo: colocar- se no lugar do outro (nativo) , para procurar ver as
coisas do ponto de vista desse outro.

As reações iradas dos arrozeiros, políticos e jornalistas contra os indígenas no
caso Raposa Serra do Sol mostraram claramente que na hora que mexem com seus
interesses capitalistas, a sociedade brasileira não tem o mínimo pudor de se mostrar
racista. E os fazendeiros e políticos no Mato Grosso do Sul contra os Guarani? O
mesmo se diga sobre os quilombolas e o que tem se falado das suas reivindicaà§ões.

Mas, a professora não consegue pensar a partir dessas realidades dos indígenas e
negros. Fala a partir de um um outro "nós brasileiros" , que construiram "uma
cultura" que se envergonha do racismo. Nós quem, cara pálida? Melhor seria dizer que em
situações menos conflituosas, a maioria dos brasileiros tem vergonha de admitir
que é racista. Aí, sim.

Outra coisa, "não somos uma sociedade racista, pois não temos instituições baseadas em lei com critério racial". Ah, só se é racista quando há instituições e leis explicitamente
racistas? Para uma cientista social acreditar que só é verdadeiro o que está escrito/legalizado,
é demais. Eu não to dizendo que a mulher ficou cega?

Florêncio Vaz
Indígena Maytapu (Pará) - Membro do CINEP/APIB
Doutorando em Ciências Sociais/Antropologi a no PPGCS/UFBa

--- Em qua, 3/6/09, Jose Luis Caetano da Silva escreveu:

De: Jose Luis Caetano da Silva

A professora Ivone está corretíssima, apesar da decisão POLÍtica de alguns
setores do movimento negro de racializar a questão étnica negra, nós não podemos
calar ante a fraquesa teórica de tal posição, além das evidentes fraquesas políticas
que tal processo tem. Desde 1994 que a Ford Fundation tenta impor o sistema de
cotas às pós-graduações que ela "apoiava" no Brasil, não conseguindo tal intento
lançaram o felowship program que, por traz de uma capa de abertura para
nordestinos e trabalhadores racializa a destribuição das bolsas da Ford Fundation.
Penso que posições e decisões políticas são muito importantes, porém, em certos
momentos os nossos valores e a nossa tradição disciplinar devem falar de forma
mais contundente. Parabens Ivone Maggie pela sua corajosa luta.

ENTREVISTA

YVONNE MAGGIE: Raça não pode ser critério de distribuição de justiça, é
invenção dos racistas

Fervorosa ativista contra o sistema de cotas raciais para o ingresso nas
universidades, a antropóloga Yvonne Maggie, da Universidade Federal do
Rio de Janeiro, comemorou a recente suspensão, pelo Tribunal de
Justiça, da lei estadual que estipulava a reserva de vagas em
universidades estaduais, como um primeiro passo para a revogação de
leis raciais. A seu ver, elas servem apenas para dividir os brasileiros
que, no geral, diz, rejeitam o racismo. Segundo ela, o sistema de cotas
é fruto de pressão internacional alimentada por milhões de dólares da
Fundação Ford: â۠Essa pressão talvez tivesse caà do no vazio se não
houvesse dinheiro americano nessa história.

José Meirelles Passos

O GLOBO: O sistema de cotas é apresentado como forma de criar oportunidades
iguais para todos.

A senhora discorda. Por quê?
YVONNE MAGGIE:
Porque ele faz parte de leis raciais que querem implantar no Brasil. E
elas são inconstitucionais. A Constituição Federal proíbe criar
distinções entre brasileiros ou preferências entre si. A do Estado do
Rio também. Estou defendendo o estatuto jurídico da naçà £o brasileira,
com base no fato de que raça não pode ser critério de distribuição de
justiça. Raça é uma invenção dos racistas para dominar mais e melhor.

Que critério usaram para criar tal sistema?
YVONNE:
Surgiu no governo de Fernando Henrique Cardoso, propondo cotas para
negros ou pardos, hoje chamados de afrodescendentes, sob o critério
estatístico do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Mas isso não significa que as pessoas se identifiquem com aquilo. Nà ³s,
brasileiros, construímos uma cultura que se envergonha do racismo.

Mas existe racismo no Brasil, não?
YVONNE:
Eu nunca disse que não há racismo aqui. Mas não somos uma sociedade
racista, pois não temos instituições baseadas em lei com critério
racial. É interessante ver que o Brasil descrito nas estatísticas foi tomado
como verdade absoluta. Há Uma coisa é dizer que o Brasil é um país desigual, com uma distância
muito grande entre ricos e pobres. Outra coisa é atribuir isso à raça.

Quais os motivos para a criação de leis raciais no país?
YVONNE:
Outra alucinação: a de que a forma de combater a desigualdade no Brasil
deve ser via leis raciais.
Elas propõem dividir o povo brasileiro em brancos e negros. Há quem
diga que o povo já está dividido assim. Digo que não. Afinal, 35% dos
muito pobres no Brasil se definem como brancos.

Qual é o melhor critério?
YVONNE:
Em vez de lutar contra o racismo com ações afirmativas, colocando mais
dinheiro nas periferias, o governo optou pelas cotas raciais reservando
certo número de vagas na escola e, com o estatuto racial, no mercado de
trabalho. Então, o país que não se pensava dividido està ¡ sendo dividido.

Seja como for, a ideia das cotas está ganhando adeptos.
YVONNE:
Nem tanto. Pesquisa recente feita no Rio pelo Cidan (Centro Brasileiro
de Informação e Documentação do Artista Negro), mostrou que 63% das
pessoas são contra as cotas raciais.

A maioria do povo brasileiro acha que todos somos iguais.
Aprendemos isso na escola.

O objetivo era beneficiar negros e pardos. Agora no Rio já existem cotas
para portadores de deficiência, para filhos de policiais, de bombeiros..
A tendência é esse leque aumentar?
YVONNE:
A lógica étnica ou racial não tem fim. Tudo surgiu porque houve pressão
internacional com o sentido de combater o racismo. Mas quem domina os
organismos internacionais são os países imperialistas, sobretudo
Inglaterra e Estados Unidos, que têm uma visão imperialista de mundo
dividido. Os EUA são um país dividido. Não pensam como nà ³s. Lá a
questão racial é a primeira identidade.
Você pergunta â€Squem é você?†, e dizem: â€Ssou
afroamericano†, etc. Como
não vivemos ódio racial no Brasil não sabemos o que é isso. O problema
é que ao dividir e criar uma identidade racial, fica impossível voltar
atrás.

O Brasil sucumbiu à pressão internacional?
YVONNE:
A pressão talvez tivesse caído no vazio se não houvesse dinheiro
americano nessa história. A Fundação Ford investiu milhà µes de dólares
no Brasil, formando advogados, financiando debates, criando
organizações não governamentais (ONGs). Não temos mais movimentos
sociais. Quem luta em favor das cotas se transformou em ONG que recebe
dinheiro do governo e da Fundação Ford. Juntou-se a fome com a vontade
de comer. O governo inventa as ONGs, financia, e depois diz que as
cotas são uma demanda do povo.

Como combater a desigualdade no acesso à universidade?
YVONNE:
O Brasil tem que enfrentar a questão da educação básica de forma madura
e consciente, investindo. Precisamos de recursos financeiros e humanos.
Melhorar o salário dos professores e sua formação. E mudar a concepção
de educação.
Sem investimento não construiremos uma sociedade mais igual. Estamos
criando uma sociedade mais desigual, escolhendo um punhadinho entre os
pobres. Na verdade, a competição pelos recursos não é entre o filho da
elite e o filho do pobre: ocorre entre os pobres.

Como a senhora vê a educação no Brasil?
YVONNE:
A formação de professores e a concepção de educação são precárias. Não
se obriga as escolas a ensinar. Obama acaba de fazer uma grande
melhoria nos EUA: premia os bons professores. São os que ensinam
melhor. E pune os maus. Quem não consegue fazer com que o seu aluno
tire nota boa nas provas de avaliação externas, sai ou é reciclado.

Há luz no fim do túnel?
YVONNE:
Sou otimista. Acho que as leis raciais não vingarão no Brasil. Creio
que os congressistas têm mais juízo. E que em vez de lutar pelas cotas,
o ministro da Educação deve fazer com que prefeitos e governadores
cumpram as metas. Elas são excelentes.
A idéia dele é fazer com que os municípios mais pobres recebam mais
dinheiro. A opção é investir nas escolas e nos bairros mais pobres.

É possível conter o lobby das ONGs favoráveis às cotas?
YVONNE:
É muito difícil ir contra grupos que se apresentam como o povo
organizado. Temos que lutar pelo povo desorganizado, o povo que anda
pela rua, que casa entre si, que joga futebol junto, que bebe cerveja,
e não está o tempo todo pensando de que cor você é, de que cor eu sou.
Povo é o que nos ensina que é melhor dar a mão do que negar um abraço.

Nao sei o que voces pensam, mas acho essa senhora é muito cara de pau....(por
utilizar uma expressao suave...)

"Segundo ela (Yvonne Maggie) , o sistema de cotas é fruto de pressà £o
internacional alimentada por milhões de dólares da Fundaà§ão Ford"

Quero ver quantos desses contra as cotas estudaram, estudam, pesquisam,
publicam, vivem, supervivem, viajam pelo mundo, e até assistem congressos nas
bahamas, gracas
à cooperacao internacional e aos justiceros da Fundacao Ford.
¿Quando nao tinha lobby das ONG's internacionais, o pessoal negro estaba feliz
sem as cotas, nao tinha racismo...?

Entrevista Yvonne Maggie pelo jornal independente e democratico "Oglobo"

ENTREVISTA Yvonne Maggie

Fervorosa ativista contra o sistema de cotas raciais para o ingresso nas
universidades, a antropóloga Yvonne Maggie, da Universidade Federal do Rio de
Janeiro, comemorou
a recente suspensão, pelo Tribunal de Justiça, da lei estadual que estipulava a
reserva de vagas em universidades estaduais, como um primeiro passo para a
revogação
de leis raciais. A seu ver, elas servem apenas para dividir os brasileiros que,
no geral, diz, rejeitam o racismo. Segundo ela, o sistema de cotas à© fruto de
pressão
internacional alimentada por milhões de dólares da Fundaçà£o Ford: — Essa
pressão talvez tivesse caà do no vazio se não houvesse dinheiro americano nessa
história.

José Meirelles Passos

O GLOBO: O sistema de cotas é apresentado como forma de criar oportunidades
iguais para todos. A senhora discorda. Por quê?

YVONNE MAGGIE: Porque ele faz parte de leis raciais que querem implantar no
Brasil. E elas são inconstitucionais. A Constituição Federal proíbe criar
distinções
entre brasileiros ou preferências entre si. A do Estado do Rio tambà©m. Estou
defendendo o estatuto jurídico da nação brasileira, com base no fato de que
raà§a não
pode ser critério de distribuição de justià§a. Raça é uma invenção dos racistas
para dominar mais e melhor.

Que critério usaram para criar tal sistema?

YVONNE: Surgiu no governo de Fernando Henrique Cardoso, propondo cotas para
negros ou pardos, hoje chamados de afrodescendentes, sob o critério estatístico
do IBGE
(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Mas isso não significa que as
pessoas se identifiquem com aquilo. Nós, brasileiros, construímos uma cultura
que
se envergonha do racismo.

Mas existe racismo no Brasil, não?

YVONNE: Eu nunca disse que não há racismo aqui. Mas não somos uma sociedade
racista, pois não temos instituições baseadas em lei com critério racial. É
interessante
ver que o Brasil descrito nas estatísticas foi tomado como verdade absoluta. Há
Uma coisa é dizer que o Brasil é um país desigual, com uma distância muito
grande
entre ricos e pobres. Outra coisa é atribuir isso à raça.

Quais os motivos para a criação de leis raciais no país?

YVONNE: Outra alucinação: a de que a forma de combater a desigualdade no Brasil
deve ser via leis raciais. Elas propõem dividir o povo brasileiro em brancos e
negros.
Há quem diga que o povo já està¡ dividido assim. Digo que não. Afinal, 35% dos
muito pobres no Brasil se definem como brancos..

Qual é o melhor critério?

YVONNE: Em vez de lutar contra o racismo com ações afirmativas, colocando mais
dinheiro nas periferias, o governo optou pelas cotas raciais reservando certo
número
de vagas na escola e, com o estatuto racial, no mercado de trabalho. Entà£o, o
país que não se pensava dividido está sendo dividido..

Seja como for, a ideia das cotas está ganhando adeptos.

YVONNE: Nem tanto. Pesquisa recente feita no Rio pelo Cidan (Centro Brasileiro
de Informação e Documentação do Artista Negro), mostrou que 63% das pessoas são
contra
as cotas raciais.
A maioria do povo brasileiro acha que todos somos iguais. Aprendemos isso na
escola.

O objetivo era beneficiar negros e pardos. Agora no Rio já existem cotas para
portadores de deficiência, para filhos de policiais, de bombeiros

Tags: Cotas, Educação, Negros, Pobres, Pública, Raça

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Replies to This Discussion

Oi Omar!

Interesso-me muito pelo tema. Aliás interesso-me por tudo o que tenha a ver com o Brasil, por razões várias.
Decerto conhece Luís Roberto Cardoso de Oliveira, antropólogo cujo campo de investigação se centra em temas como direitos, cidadania, democracia, politicas de reconhecimento e conflito.

Cardoso de Oliveira em muitos textos reflecte, precisamente, sobre o projecto de acção afirmativa como politica social, no Brasil.

Pois bem, para este antropólogo ao falar-se em acção afirmativa como politica social colocam-se em causa dois princípios fundamentais aos Estados democráticos contemporâneos. São eles: o princípio de equidade e o respeito aos direitos individuais.

Mas este autor não é contra a acção afirmativa (cotas) pelo o contrário o que ele afirma é que só uma politica de acção afirmativa bem conduzida poderá levar a uma protecção eficaz dos direitos dos afro-brasileiros e sobretudo à consciencialização do preconceito de cor. Ele adverte ainda que para o impacto positivo da politica de acção afirmativa ser real não se deve deixar dominar por interesses corporativistas ou clientistas cuja força é relevante.

Na minha opinião a questão das cotas tem constragimentos inerentes que não são facilmente ultrapassáveis mas também não é menos verdade que em se tratando do Brasil as coisas parecem ser ainda mais graves que nos EUA havendo, claramente, um "branqueamento" do preconceito de raça através de um preconceito de classe.

Por um lado as cotas parecem-me ser um solução possivel para um caso gravissimo que se vive no Brasil mas, evidentemente, tem as suas fragilidades.

DaMatta, por exemplo, parece ter uma posição mais céptica em relação ao assunto em questão uma vez que para ele todo este problema ( racismo, no geral) resulta de um estigmatismo histórico face aos EUA e pior ainda da negação não só desse estigmatismo como do próprio preconceito..é como se os brasileiros tivessem o preconceito de não ter preconceito, como nos afirma Florestan Fernandes.

Mas obviamente é preciso ser-se coerente na adopção deste processo, o que, por vezes, parece não acontecer.

O que me diz?
Queria só acrescentar que a afirmação da prof.a Maggi é imprecisa e decorrente de uma profunda ignorância histórica. Enfim, a noção de raça aparece historicamente em proveito da multiplicidade das raças, como base para a fundação de uma história não universal da raça real. Pela primeira vez, já pelo XVI, começpu-se a fazer uma história das raças oprimidas e isso só foi possível em função da invenção da noção de raça. Raça, protanto, foi um princípio de resistência. Reconhecidamente pelo próprio Marx, não haveria luta de classes sem que antes não se houvesse estabelecido uma luta das raças e uma história destas lutas. Foi a noção de raça que, enfim, permitiu que se contasse uma história das raças derrotadas e não apenas da raça vencedora. Portanto, a noção de raça não é em si nem opressora nem libertadora. Ela, posteriormente, foi apropriada por uma atitude racista. Mas seria preciso estudar um pouco para que se saia falando por aí coisas de que não se conhece direito.
Finalmente, me paree haver um problema que já não é histórico, mas é antropológico. Raça pode ser uma noção inválida para a biologia e para os biólogos. Mas certamente não pode ser para quem é antropólogo porque é certamente importante e em certos casos centrais para sa pessoas entre as quais estudamos. Apenas para apresnetar um exemplo que pode definir bem raça negra e raça branca no Rio de Janeiro: que se envie como experiência alguém considerado localmente negro para entrar pela porta social de um edifício residencial situado no Alto Leblon. Verifiquemos que os critérios raciais operam ou se não operam no Brasil.
abçs e desculpem os erros de digitação porque ninguém tem tempo pra revisar essas coisas,
Jorge

maria joao nunes said:
Oi Omar!

Interesso-me muito pelo tema. Aliás interesso-me por tudo o que tenha a ver com o Brasil, por razões várias.
Decerto conhece Luís Roberto Cardoso de Oliveira, antropólogo cujo campo de investigação se centra em temas como direitos, cidadania, democracia, politicas de reconhecimento e conflito.

Cardoso de Oliveira em muitos textos reflecte, precisamente, sobre o projecto de acção afirmativa como politica social, no Brasil.

Pois bem, para este antropólogo ao falar-se em acção afirmativa como politica social colocam-se em causa dois princípios fundamentais aos Estados democráticos contemporâneos. São eles: o princípio de equidade e o respeito aos direitos individuais.

Mas este autor não é contra a acção afirmativa (cotas) pelo o contrário o que ele afirma é que só uma politica de acção afirmativa bem conduzida poderá levar a uma protecção eficaz dos direitos dos afro-brasileiros e sobretudo à consciencialização do preconceito de cor. Ele adverte ainda que para o impacto positivo da politica de acção afirmativa ser real não se deve deixar dominar por interesses corporativistas ou clientistas cuja força é relevante.

Na minha opinião a questão das cotas tem constragimentos inerentes que não são facilmente ultrapassáveis mas também não é menos verdade que em se tratando do Brasil as coisas parecem ser ainda mais graves que nos EUA havendo, claramente, um "branqueamento" do preconceito de raça através de um preconceito de classe.

Por um lado as cotas parecem-me ser um solução possivel para um caso gravissimo que se vive no Brasil mas, evidentemente, tem as suas fragilidades.

DaMatta, por exemplo, parece ter uma posição mais céptica em relação ao assunto em questão uma vez que para ele todo este problema ( racismo, no geral) resulta de um estigmatismo histórico face aos EUA e pior ainda da negação não só desse estigmatismo como do próprio preconceito..é como se os brasileiros tivessem o preconceito de não ter preconceito, como nos afirma Florestan Fernandes.

Mas obviamente é preciso ser-se coerente na adopção deste processo, o que, por vezes, parece não acontecer.

O que me diz?

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